As carraças são parasitas externos que se alimentam do sangue de mamíferos, aves e répteis. Em Portugal, representam um risco crescente para a saúde humana e animal, sendo vetores de doenças graves como a doença de Lyme, a febre escaro-nodular (febre da carraça) e a erliquiose. Neste artigo, explicamos quais as espécies mais comuns, os perigos que representam e como proteger eficazmente a sua família.
Espécies de Carraças em Portugal
Portugal possui uma diversidade significativa de espécies de carraças, devido ao seu clima temperado e à variedade de habitats. As espécies mais relevantes para a saúde pública são:
A Ixodes ricinus (carraça-dos-bosques) é a principal responsável pela transmissão da doença de Lyme em Portugal. Encontra-se em zonas húmidas, bosques e jardins com vegetação densa, sendo mais ativa na primavera e outono. A Rhipicephalus sanguineus (carraça-castanha-do-cão) é a espécie mais associada a cães e ambientes domésticos. Pode transmitir a erliquiose canina e a febre escaro-nodular (causada por Rickettsia conorii) aos humanos. A Dermacentor marginatus é uma carraça de grande porte encontrada em zonas rurais, associada a gado e animais selvagens.
Doenças Transmitidas por Carraças
Doença de Lyme
Causada pela bactéria Borrelia burgdorferi, a doença de Lyme é a doença transmitida por carraças mais importante na Europa. Os sintomas iniciais incluem uma erupção cutânea circular vermelha (eritema migratório) no local da picada, fadiga, febre e dores musculares. Se não for tratada precocemente com antibióticos, pode evoluir para problemas articulares, neurológicos e cardíacos. O risco de transmissão aumenta significativamente quando a carraça permanece fixada durante mais de 24 a 36 horas.
Febre Escaro-Nodular
Esta é a doença transmitida por carraças mais frequente em Portugal. Causada por Rickettsia conorii e transmitida principalmente pela carraça do cão, manifesta-se com febre alta, erupção cutânea generalizada e uma escara negra no local da picada. Embora normalmente não seja grave em adultos saudáveis, pode ser perigosa para crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas. O tratamento é feito com doxiciclina.
Como Remover uma Carraça Corretamente
A remoção correta de uma carraça é crucial para minimizar o risco de infeção. Utilize uma pinça de pontas finas ou um dispositivo específico para remoção de carraças. Agarre a carraça o mais perto possível da pele, sem esmagar o corpo. Puxe firmemente para cima, com pressão constante e sem torcer, até a carraça se soltar. Desinfete o local da picada com álcool ou iodo. Nunca aplique azeite, álcool ou calor sobre a carraça antes de a remover, pois isto pode fazê-la regurgitar o conteúdo do estômago para a ferida, aumentando o risco de infeção.
Proteger a Família e os Animais
Proteção Pessoal
Quando caminhar em zonas de vegetação densa, bosques ou trilhos, use calças compridas enfiadas nas meias e mangas compridas. Aplique repelente de insetos contendo DEET ou icaridina na pele exposta e permetrina na roupa. Após atividades ao ar livre, inspecione cuidadosamente todo o corpo, com especial atenção ao couro cabeludo, atrás das orelhas, axilas, virilhas e atrás dos joelhos.
Proteção dos Animais
Mantenha os animais domésticos protegidos com produtos antiparasitários específicos para carraças — coleiras (como as de flumetrina e imidaclopride), pipetas spot-on ou comprimidos orais. Inspecione os animais regularmente, especialmente após passeios em zonas rurais ou com vegetação. As carraças tendem a fixar-se nas orelhas, entre os dedos e na zona do pescoço dos animais.
Tratamento do Jardim
Mantenha a relva curta e os arbustos podados. Remova folhas mortas e detritos vegetais onde as carraças se abrigam. Crie uma barreira de gravilha ou lascas de madeira entre zonas de relva e áreas de lazer. Considere um tratamento acaricida profissional no jardim se viver numa zona de risco elevado. Desencoraje a presença de roedores no jardim, pois são hospedeiros frequentes de carraças imaturas.
Quando Procurar Ajuda Médica
Consulte o médico se desenvolver febre, erupção cutânea, dores musculares ou articulares nas semanas seguintes a uma picada de carraça. Um diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento eficaz das doenças transmitidas por carraças. Guarde a carraça removida num recipiente fechado para posterior identificação, se necessário.