Controlo de Aranhas e Escorpiões

Controlo de Aranhas e Escorpiões

Aranhas e Escorpiões em Casa: O Que Importa Saber

A maior parte das aranhas que aparece numa habitação é inofensiva e, segundo o programa de gestão integrada de pragas da Universidade da Califórnia (UC IPM), as aranhas são sobretudo benéficas, porque se alimentam de insetos. Em Portugal são conhecidas perto de 800 espécies no território continental, segundo um texto de 2010 assinado por Pedro Cardoso no portal Naturdata, e só duas podem causar alguma condição médica. Quanto aos escorpiões, o INEM refere que a picada do lacrau provoca dor intensa e que convém a observação médica.

Este guia explica quais são as espécies que importam, o que indicam o INEM e a literatura médica sobre uma picada, como prevenir e como decorre um serviço profissional.

Espécies de Aranhas com Relevância Médica

Aranha-violino (Loxosceles rufescens)

Segundo Pedro Cardoso, é relativamente comum em quase todo o país e é comum inclusivamente em meio urbano. Um caso clínico publicado em 2023 por médicos do Hospital Fernando Fonseca (Amadora) refere que as aranhas-violino habitam locais escuros e secos, podendo viver no interior de residências urbanas. Segundo o mesmo artigo, a picada pode causar loxoscelismo. Na forma cutânea, a ferida evolui lentamente até necrose local, por vezes com sintomas gerais ligeiros, como dor de cabeça, náuseas ou febre. Uma forma mais grave envolve destruição de glóbulos vermelhos, alterações da coagulação e insuficiência renal. Os autores escrevem que os casos graves são raros e que, em Portugal, nenhuma morte foi atribuída a aranhas deste género, o que relacionam com a dificuldade de capturar a aranha depois da picada e de confirmar a espécie.

Esse mesmo artigo descreve, no entanto, um caso sério: uma mulher de 48 anos, picada numa zona urbana, desenvolveu lesões na pele e depois anemia hemolítica grave, esteve internada e teve alta ao 16.º dia, sem sintomas. A aranha foi identificada pela própria doente a partir de fotografias. Trata-se, portanto, de um risco descrito como raro, mas presente na literatura médica portuguesa.

O Manual MSD (edição para profissionais de saúde, que se baseia sobretudo nas aranhas-marrom dos Estados Unidos) acrescenta que a dor pode não existir no início e surgir 30 a 60 minutos depois, com vermelhidão e uma bolha central que pode rebentar e formar uma úlcera.

Viúva-negra-mediterrânica (Latrodectus tredecimguttatus)

Segundo Cardoso, o veneno é neurotóxico e pode causar rigidez e espasmos musculares, com dor abdominal, dorsal e torácica. O Manual MSD descreve, nas picadas de viúva-negra, uma sensação de ferroada forte e imediata.

Cuidado com os diagnósticos apressados

Cardoso alerta que, em Portugal, é frequente atribuir-se a uma aranha lesões necróticas cuja causa pode ser outra, como infeções bacterianas, e que o diagnóstico correto exige observar a picada, capturar a aranha e identificá-la por um taxonomista. O Manual MSD vai no mesmo sentido: muitos doentes atribuem a picadas de aranha infeções da pele por estafilococos resistentes.

Uma notícia da Euronews de 1 de julho de 2026, com declarações de um investigador do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, dá conta de dois exemplares macho de outra espécie do mesmo género, a Loxosceles laeta, encontrados no Porto (em setembro de 2025 e janeiro de 2026). Seria o primeiro registo da espécie na Península Ibérica. O investigador considera baixa a probabilidade de encontro ou de picada e admite que esta espécie possa ter sido confundida com a aranha-violino comum.

Escorpiões em Portugal

Um investigador do CIBIO-InBIO, numa resposta publicada na revista Wilder em 2022, explica que Buthus é o único género de escorpião nativo em Portugal. A identificação da espécie é, porém, incerta. O portal de biodiversidade da Herdade da Mitra (Universidade de Évora) usa o nome Buthus occitanus e indica que está presente em todo o território continental, de Trás-os-Montes ao Algarve. O investigador da Wilder esclarece que esse nome foi usado até 2004 para a espécie portuguesa, mas que a espécie a que ele corresponde só existe no leste da Península Ibérica e no sul de França. Considera que a espécie portuguesa será provavelmente Buthus halius, embora duas espécies novas descritas em 2021 ainda aguardem confirmação e ele não o possa afirmar com certeza. Por isso, este texto refere apenas escorpiões do género Buthus.

Segundo o portal da Mitra, que descreve a espécie sob o nome B. occitanus, é um escorpião noturno e solitário que se abriga de dia sob pedras, troncos ou em buracos no solo. O portal diz que não é muito perigoso para o ser humano, embora a picada cause dor muito intensa e inchaço e, em alguns casos, sintomas como ansiedade, arrepios, cãibras musculares e tensão arterial baixa.

O Que Fazer Depois de uma Picada

  • Gelo e imobilização: como regra para picadas e mordeduras de animais, o INEM indica colocar gelo no local, imobilizar o membro atingido e procurar apoio médico nos casos mais graves. Para o lacrau, refere dor intensa e recomenda observação médica.
  • CIAV: em caso de intoxicação, o INEM indica o contacto com o Centro de Informação Antivenenos, um serviço médico de consulta telefónica em toxicologia, ativo 24 horas por dia, para o público e para profissionais de saúde, que também pode ser acedido através do número europeu de emergência.
  • Cuidados com a ferida: para as picadas de aranha em geral, o Manual MSD descreve limpeza local da ferida, gelo para reduzir a dor, elevação do membro, profilaxia antitetânica e observação. Fale com um profissional de saúde sobre a vacinação antitetânica.
  • Guarde a aranha, se puder fazê-lo sem risco: a identificação por um especialista é o que confirma o diagnóstico (Cardoso).
  • Procure um médico se piorar: a UC IPM aconselha contactar um médico se a picada de qualquer aranha causar uma reação invulgar ou grave, como dor crescente ou inchaço extremo. No caso clínico de 2023, o quadro começou com sintomas ligeiros e agravou-se de forma marcada nos dias seguintes.

Prevenção

A UC IPM, cujas recomendações vêm da Califórnia, sugere aspirar regularmente aranhas e teias, reduzir a acumulação de caixas e objetos, vedar frestas em fundações, janelas e portas e manter livre de lixo, folhas e vegetação densa a zona junto às paredes. Refere também que a iluminação exterior atrai insetos e, por consequência, aranhas. Para escorpiões, o serviço de extensão da Universidade de Clemson (EUA, com espécies americanas) indica que entram em casa à procura de abrigo, humidade e presas, e aconselha vedar aberturas nas paredes exteriores, colocar redes e vedantes em portas, janelas e ventilações, corrigir fugas de água, arrumar a lenha longe do chão e retirar entulho.

Como Funciona o Serviço Profissional

Nem todas as empresas incluem aranhas no serviço: a Anticimex indica no seu site que não presta esse serviço, porque não considera as aranhas pragas. Confirme-o antes de pedir propostas. A empresa PHST, no seu site, aconselha recorrer a uma empresa de desinfestação para eliminar uma infestação de aranhas.

Inspeção e Identificação

O projeto final da norma europeia EN 16636 (2014) prevê uma avaliação com deteção e identificação da espécie, extensão e distribuição da presença, fatores que a favorecem e medidas preventivas, distinguindo o que cabe ao cliente.

Vedação, Higiene e Tratamento

Segundo o Clemson (a propósito de escorpiões), o controlo químico só deve vir depois das medidas não químicas e pode usar sprays ou pós de ação residual com indicação no rótulo para escorpiões. Em infestações fortes, o serviço aponta o recurso a um profissional, que dispõe de produtos e métodos que o público não tem. Para aranhas, a UC IPM indica que os inseticidas não dão controlo duradouro e, em geral, não devem ser usados no exterior; a pulverização só tem efeito temporário se não for acompanhada de limpeza.

Relatório

O mesmo projeto de norma prevê um relatório com o serviço realizado, os produtos e a área de aplicação, recomendações para evitar recorrência e o período de reentrada, se aplicável.

Fatores Que Influenciam o Preço

O valor varia com a espécie a controlar, a extensão da presença que a inspeção revelar, o espaço a tratar (interior, exterior ou ambos), o trabalho de vedação e o seguimento após o serviço, que a EN 16636 prevê na proposta formal. Consulte também o guia quanto custa uma desinfestação em Portugal.

O Que Pedir no Orçamento

  • Espécie identificada e forma como foi confirmada.
  • Método, produtos a usar e onde serão aplicados.
  • Vedações e medidas que ficam a cargo do cliente.
  • Seguimento após o serviço e relatório escrito.
  • Período de reentrada e cuidados com crianças e animais (veja desinfestação com crianças e animais).

Quando Chamar um Profissional

Considere um profissional se encontrar escorpiões ou aranhas de forma repetida no interior ou se as medidas de higiene e vedação não resolverem; o Clemson aponta o profissional para infestações fortes. Se houver picada, o primeiro passo é o apoio médico ou o CIAV. Veja também o artigo escorpiões em Portugal: são perigosos? e o serviço de desinfestação geral.

Perguntas Frequentes

Há aranhas perigosas em Portugal?

Segundo Cardoso, apenas duas espécies, a aranha-violino e a viúva-negra-mediterrânica, podem causar alguma condição médica. O caso clínico de 2023 mostra que, no caso da aranha-violino, o quadro pode ser grave, embora seja descrito como raro.

A picada de escorpião é perigosa?

O portal da Mitra diz que a espécie não é muito perigosa para o ser humano, mas a picada é dolorosa e o INEM aconselha observação médica.

Devo eliminar todas as aranhas de casa?

A UC IPM sublinha que as aranhas são sobretudo benéficas e sugere concentrar o controlo na remoção de teias e esconderijos, sem recurso generalizado a pesticidas.

Onde se escondem os escorpiões?

Sob pedras, troncos e buracos no solo, segundo o portal da Mitra. Em casa, procuram abrigo, humidade e presas (Clemson).

Posso usar inseticida por minha conta?

Para aranhas, a UC IPM refere que a pulverização só tem efeito temporário sem limpeza e que, no exterior, os inseticidas em geral não devem ser usados. Para escorpiões, o Clemson pede que se confirme no rótulo que o produto pode ser usado contra eles e, se for o caso, no interior. Em caso de dúvida, consulte um profissional.

A quem recorro depois de uma picada?

Procure apoio médico se a dor for intensa ou se o quadro piorar. O INEM indica ainda o CIAV para esclarecimento toxicológico por telefone.

O serviço impede que voltem?

Nenhum serviço deve prometer eliminação total. A EN 16636 prevê, na proposta, um seguimento para confirmar que o serviço foi eficaz; peça-o por escrito.

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