Quando aparece uma barata em casa, a reação é quase sempre a mesma: esmagar e esperar que seja a última. Só que, se aparecem várias, identificar a espécie é o primeiro passo de um tratamento que funcione. Uma barata-germânica na cozinha e uma barata-americana no ralo da casa de banho são problemas diferentes, com origens diferentes e soluções diferentes.
Barata-germânica (Blattella germanica)
É a espécie mais comum dentro de casas, restaurantes e cafés.
- Tamanho: pequena, entre 1 e 1,6 cm.
- Como reconhecer: cor castanho-clara e duas faixas escuras paralelas atrás da cabeça.
- Onde vive: cozinhas, atrás de eletrodomésticos, em armários junto à canalização. Gosta de calor e humidade.
- Curiosidade: reproduz-se muito depressa. A fêmea transporta a cápsula de ovos (ooteca) até ao momento da eclosão, o que a torna difícil de eliminar com produtos de contacto.
Barata-oriental (Blatta orientalis)
- Tamanho: 2 a 3 cm.
- Como reconhecer: castanho muito escuro, quase preta e brilhante. Move-se de forma mais lenta e não voa bem.
- Onde vive: locais frescos e húmidos, como caves, garagens, arrecadações e à volta de tubagens.
Barata-americana (Periplaneta americana)
- Tamanho: a maior das três, entre 3 e 4 cm.
- Como reconhecer: castanho-avermelhada, com uma margem mais clara atrás da cabeça.
- Onde vive: esgotos, caixas de visita, caves e casas de banho. Entra nas casas pelos ralos e pelas canalizações.
- Curiosidade: tem asas e pode voar em noites quentes. Sobre este tema, leia também baratas voadoras em Portugal.
Espécies das ilhas
Na Madeira e nos Açores é frequente encontrar também baratas de origem tropical, algumas bem maiores do que as do continente. Se vive nas ilhas e o inseto que encontra não corresponde a nenhuma das descrições acima, tire uma fotografia nítida: qualquer técnico consegue dizer a espécie por imagem.
Porque é que a espécie muda o tratamento
- Barata-germânica: costuma tratar-se com géis-isco colocados em pontos estratégicos e monitorização com armadilhas adesivas, porque o contacto direto não chega às cápsulas de ovos.
- Barata-americana: o foco é a origem: ralos, caixas de esgoto e pontos de entrada. Sem tratar por aí, volta.
- Barata-oriental: resolve-se sobretudo com o controlo da humidade e a aplicação em perímetros e frestas.
Como recolher informação antes de chamar o técnico
- Tire uma fotografia de um inseto (vivo ou morto) com uma moeda ao lado para dar escala.
- Anote a divisão onde aparecem e a que horas, geralmente à noite.
- Coloque duas ou três armadilhas adesivas junto às paredes durante uma noite e veja onde há capturas.
- Procure fezes (pequenos grãos escuros, como pimenta moída), cascas de ovos e um cheiro adocicado.
Com isto, o orçamento fica mais rigoroso e a primeira visita mais eficaz. Se quiser passar à ação, veja a nossa página sobre desbaratização e leia como acabar com baratas na cozinha.
Perguntas Frequentes
Ter baratas quer dizer que a casa está suja?
Não necessariamente. Procuram calor, humidade e abrigo, e entram por canalizações e frestas mesmo em casas muito limpas. A higiene ajuda, mas raramente é a única causa.
As baratas fazem mal à saúde?
Podem contaminar alimentos e superfícies e os seus resíduos são alergénios conhecidos, sobretudo em crianças e pessoas asmáticas. Convém eliminar a infestação e não apenas os indivíduos visíveis.
Quantas visitas são precisas?
Numa infestação moderada, muitas vezes duas: a primeira para tratar e a segunda, algumas semanas depois, para verificar e reforçar. Peça sempre que o orçamento inclua a visita de controlo.