Os mosquitos são uma das pragas mais incómodas do verão em Portugal, mas representam muito mais do que simples picadas irritantes. São vetores de doenças como a dengue, o Zika e a febre do Nilo Ocidental, cujos casos têm vindo a aumentar na Europa nos últimos anos. Neste guia, abordamos as principais espécies de mosquitos em Portugal e as estratégias mais eficazes para os controlar durante os meses quentes.
Espécies de Mosquitos em Portugal
Em Portugal existem várias espécies de mosquitos com relevância para a saúde pública. O mosquito-comum (Culex pipiens) é a espécie mais abundante, estando presente em todo o território. Pica preferencialmente ao anoitecer e durante a noite. É o principal vetor do vírus do Nilo Ocidental em Portugal.
O mosquito-tigre (Aedes albopictus) é uma espécie invasora que tem vindo a expandir-se no sul da Europa. Já foi detetado em várias regiões de Portugal e é reconhecível pelas suas riscas pretas e brancas. Ao contrário do mosquito-comum, pica durante o dia e é vetor potencial de dengue, chikungunya e Zika.
O Anopheles atroparvus, historicamente associado à malária em Portugal (erradicada nos anos 70), continua presente em zonas rurais com arrozais e outras áreas alagadas.
Riscos para a Saúde
Embora em Portugal o risco de doenças transmitidas por mosquitos seja menor do que em zonas tropicais, não deve ser ignorado. Nos últimos anos registaram-se casos autóctones de dengue na Madeira e casos de febre do Nilo Ocidental no Alentejo e no Algarve. Com as alterações climáticas a favorecer a expansão do mosquito-tigre para norte, é fundamental adotar medidas preventivas adequadas.
Para além das doenças, as picadas de mosquito causam reações alérgicas de gravidade variável. Algumas pessoas desenvolvem reações locais intensas com inchaço e comichão prolongada. Em crianças pequenas, picadas múltiplas podem causar febre e mal-estar generalizado.
Prevenção: Eliminar Criadouros
A medida mais eficaz contra os mosquitos é eliminar os locais onde se reproduzem. Os mosquitos põem ovos em água parada, e até pequenas quantidades de água podem servir de criadouro.
No Jardim e Exterior
Elimine toda a água parada acumulada em vasos, pratos de plantas, baldes, pneus velhos, brinquedos e qualquer recipiente que possa acumular água da chuva. Limpe as caleiras e algerozes para garantir que a água escoa corretamente. Mantenha a piscina tratada com cloro ou, se não estiver em uso, cubra-a completamente. Mude a água de bebedouros de animais e de banhos de pássaros pelo menos duas vezes por semana. Em lagos ornamentais, considere a introdução de peixes mosquito (Gambusia affinis), que se alimentam de larvas.
Em Casa
Verifique que os sifões e ralos funcionam corretamente e não acumulam água. Em casas de banho pouco utilizadas, faça correr água regularmente para manter os sifões cheios. Não deixe pratos com água debaixo dos vasos dentro de casa. Certifique-se de que os vasos de flores com água são trocados frequentemente.
Proteção Pessoal
Para proteção individual contra picadas de mosquito, as opções mais eficazes são:
Os repelentes de pele à base de DEET (concentração de 20-30%) são os mais estudados e eficazes, com proteção de 6-8 horas. A icaridina (picaridina) é uma alternativa igualmente eficaz e melhor tolerada por peles sensíveis. O óleo de citronela natural oferece proteção mais curta (1-2 horas) e é menos fiável.
Use roupa de manga comprida e calças compridas ao anoitecer, preferencialmente em cores claras. Instale redes mosquiteiras nas janelas dos quartos — é uma medida simples mas extremamente eficaz. Para bebés e crianças pequenas, utilize mosquiteiros de berço e carrinhos.
Tratamento Profissional de Exteriores
Para jardins e áreas exteriores, existem tratamentos profissionais que reduzem significativamente a população de mosquitos. A pulverização residual de inseticida na vegetação e nas paredes exteriores cria uma barreira que elimina mosquitos adultos durante duas a quatro semanas. Os sistemas de nebulização automática (misting systems) distribuem inseticida em horários programados e são ideais para esplanadas de restaurantes e áreas de lazer.
Os larvicidas biológicos à base de Bacillus thuringiensis israelensis (Bti) são seguros para o ambiente e podem ser aplicados em tanques, lagos ornamentais e outras fontes de água que não podem ser eliminadas.
Soluções Tecnológicas
As armadilhas elétricas com luz ultravioleta são populares mas a sua eficácia contra mosquitos é limitada — atraem principalmente outros insetos voadores. As armadilhas com CO2 e octenol são significativamente mais eficazes, simulando a respiração humana para atrair mosquitos. Existem modelos domésticos com preços a partir de 150€ que podem reduzir significativamente a população local de mosquitos ao longo de uma estação.
As pulseiras repelentes e os aparelhos ultrassónicos não têm eficácia comprovada cientificamente e não são recomendados como método primário de proteção.