Pulgas e Carraças

Carraças em Portugal: como remover e prevenir

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Equipa Editorial

Especialista em desenvolvimento de software para controlo de pragas

· 9 min leitura
Carraças em Portugal: como remover e prevenir

As carraças são aracnídeos que se alimentam de sangue. Segundo a Ordem dos Médicos (Colégio da Especialidade de Doenças Infecciosas), uma carraça presa à pele deve ser removida o mais depressa possível, com uma pinça de pontas finas limpa e desinfetada, agarrando-a o mais perto possível da pele e puxando num movimento vertical, com leveza, sem esmagar o corpo. A febre escaro-nodular (febre botonosa) é descrita por um hospital português como doença endémica em Portugal; se surgir febre ou erupção depois de uma picada, contacta o SNS 24 (808 24 24 24) ou o teu médico.

Este guia não apresenta números de casos em Portugal, porque não foi possível confirmar dados atuais em páginas oficiais portuguesas (a ficha sobre carraças do INSA não carregou quando a tentámos consultar).

Que carraças existem em Portugal e quais interessam em casa?

As carraças dividem-se em duas grandes famílias: as carraças duras (Ixodidae), que ficam fixas ao hospedeiro durante muito tempo, e as carraças moles (Argasidae), que se alimentam por períodos curtos, normalmente à noite, e podem sobreviver mais de um ano sem comer. Em Portugal, as fontes consultadas destacam sobretudo três carraças duras:

  • Ixodes ricinus (carraça-comum-da-Europa): segundo o ECDC, ocorre desde Portugal até à Rússia, em bosques húmidos, pastagens, charnecas e parques urbanos, desde que haja humidade e hospedeiros. Precisa de humidade relativa igual ou superior a 80%. Como precisa de humidade, a sua presença varia de zona para zona.
  • Rhipicephalus sanguineus (carraça-castanha-do-cão): segundo a literatura de referência geral (não confirmámos o seu estatuto em Portugal numa página oficial portuguesa), é a espécie mais associada a cães e a infestações dentro de casa.
  • Hyalomma marginatum: o ECDC inclui Portugal entre os países do sul da Europa onde está estabelecida. Os adultos preferem mamíferos grandes (gado, cavalos, veados, javalis), mas também se fixam em pessoas.

Quando é que as carraças estão ativas?

Depende da espécie. Para Ixodes ricinus, o ECDC descreve normalmente dois picos, na primavera e no outono, com variações por ano e local; invernos amenos levam a atividade mais cedo. Para Hyalomma marginatum, os adultos tornam-se ativos na primavera, quando a temperatura média mensal chega a cerca de 10,5 °C, e os estados imaturos estão ativos de junho a outubro, com pico em julho e agosto. Ou seja, em novembro o risco em passeios no campo é menor do que no verão, mas não desaparece, e uma carraça instalada dentro de casa não depende da estação.

Como se remove uma carraça da pele?

Segue a recomendação da Ordem dos Médicos:

  1. Usa uma pinça de pontas finas limpa e desinfetada (ou um dispositivo próprio para remover carraças).
  2. Agarra a carraça na zona mais próxima da pele possível e puxa num movimento vertical, com leveza, sem esmagar o corpo.
  3. Se a porção da boca ficar presa à pele, tenta removê-la depois.
  4. Lava bem a pele com álcool ou com água e sabão.

Nunca esmagues a carraça ainda agarrada à pele nem com os dedos, se estiver viva, porque o risco de infeção se mantém. Quanto mais depressa e melhor a removeres, menor o risco. O ECDC refere que a transmissão de infeção é improvável nas primeiras horas após a fixação; um hospital português indica que, no caso da febre botonosa, a transmissão geralmente exige que a carraça fique fixada várias horas (frequentemente mais de 6). Marca a data da picada: se tiveres erupção ou febre semanas depois, a Ordem dos Médicos pede que informes o médico da picada, do local do corpo e da região (nacional ou internacional).

Que doenças podem transmitir e quando procurar ajuda?

A Ordem dos Médicos refere que as carraças podem ser portadoras de bactérias, vírus, parasitas ou, menos comummente, fungos que causam doenças nos humanos. Em Portugal, a mais citada é a febre escaro-nodular ou febre botonosa, causada pela bactéria Rickettsia conorii. Segundo o Hospital Lusíadas (revisão científica de um médico de medicina interna), é uma doença endémica em Portugal, com casos reportados todos os anos, sobretudo nos meses mais quentes e em regiões rurais.

  • Incubação: entre uma e três semanas.
  • Sintomas: febre alta, arrepios, suores, dores musculares e de cabeça; por vezes dor abdominal, náuseas e diarreia.
  • Escara de inoculação: pequena lesão escura e indolor no local da picada, que pode chegar a cerca de dois centímetros; nas crianças localiza-se sobretudo no couro cabeludo e nos adultos nos membros inferiores.
  • Erupção: três a cinco dias após os primeiros sintomas pode surgir uma erupção avermelhada que começa nas pernas e atinge também palmas das mãos e plantas dos pés.

O tratamento é feito com antibióticos e é importante agir depressa; a mesma fonte indica que idosos e pessoas imunodeprimidas têm maior risco de complicações. Procura ajuda médica se surgirem sintomas depois de uma picada confirmada ou suspeita ou de atividades em zonas rurais ou de vegetação densa.

O ECDC acrescenta que Ixodes ricinus pode transmitir borreliose de Lyme, encefalite transmitida por carraças, anaplasmose, tularemia, rickettsioses e babesiose, e que Hyalomma marginatum é considerada o principal vetor da febre hemorrágica da Crimeia-Congo na Eurásia (evidência serológica em Portugal, mas casos humanos descritos noutros países). Na borreliose de Lyme, o ECDC descreve uma erupção chamada eritema migrans, que surge em cerca de 60 a 80% dos infetados, normalmente 3 a 30 dias após a picada. Este artigo não faz diagnóstico: com picada e febre, erupção ou mal-estar, liga para o SNS 24 (808 24 24 24) ou consulta o teu médico.

Como prevenir carraças ao ar livre?

O Hospital Lusíadas recomenda:

  • Caminhar por trilhos definidos e evitar atravessar a vegetação.
  • Vestir roupa que cubra a maior parte do corpo (manga comprida, calças, calçado fechado, meias por fora das calças), de cor clara para detetar melhor as carraças.
  • Aplicar repelente de insetos na roupa e na pele, seguindo o rótulo; o ECDC refere também roupa tratada com permetrina.
  • Ao regressar, inspecionar o corpo, sobretudo virilhas, cintura, axilas, atrás dos joelhos, orelhas e cabelo.
  • Verificar os animais de estimação sempre que voltam da rua e protegê-los com coleiras repelentes ou outros dispositivos veterinários indicados.

Como evitar carraças em casa e nos animais?

Segundo a literatura de referência geral, a carraça-castanha-do-cão pode completar o ciclo dentro de casa e de canis, o que explica porque tratar só o animal nem sempre resolve. Medidas de bom senso:

  • Inspeciona regularmente os animais sempre que voltam da rua, com atenção a cabeça, orelhas, entre os dedos e axilas.
  • Fala com o veterinário sobre a proteção adequada para cada animal, sem improvisar produtos.
  • Lava a roupa de cama dos animais e aspira com frequência frinchas, rodapés e zonas onde dormem, deitando fora o saco do aspirador.
  • No jardim, mantém a relva curta e limpa a vegetação rasteira junto à casa, para reduzir humidade e abrigo.

Se encontrares carraças repetidamente dentro de casa, sobretudo pequenas e em paredes ou rodapés, é sinal de que o ciclo está a decorrer no interior. Consulta também Carraças: perigos e como proteger a sua família; se a situação for semelhante à das pulgas, vê também Pulgas em casa: guia completo de eliminação.

Quando chamar um profissional?

Chama um técnico quando as carraças voltam depois de limpezas e tratamento do animal, quando aparecem em vários compartimentos ou quando há crianças, grávidas ou pessoas imunodeprimidas na casa. O tratamento profissional começa por identificar a espécie e os locais de abrigo, e deve ser planeado em função de pessoas e animais presentes; vê o nosso guia Desinfestação com crianças e animais: é seguro?. Podes conhecer o serviço de controlo de carraças, pedir orçamentos ou ver as empresas do teu distrito.

Os preços variam com a área, a infestação e o número de visitas; pede sempre o orçamento por escrito.

Perguntas frequentes

Quanto tempo posso ficar com a carraça antes de ser perigoso?

O ECDC indica que a transmissão é improvável nas primeiras horas, e um hospital português refere que, na febre botonosa, costuma exigir várias horas de fixação (frequentemente mais de 6). Não há um tempo "seguro": a Ordem dos Médicos diz que se deve remover a carraça o mais depressa possível.

As carraças vivem dentro de casa?

Algumas sim. Segundo a literatura de referência geral, a carraça-castanha-do-cão pode completar todo o ciclo de vida em casas e canis, o que a torna um problema de infestação doméstica.

As carraças só aparecem no verão?

Não. Para Ixodes ricinus o ECDC descreve picos na primavera e no outono; outras espécies têm os estados imaturos ativos de junho a outubro. Dentro de casa, a estação pesa menos.

Devo ir ao médico depois de uma picada?

Se aparecer febre ou erupção semanas depois de uma picada, a Ordem dos Médicos pede que contactes o teu médico e o informes da picada, do local e da região. Também podes ligar para o SNS 24 (808 24 24 24). Este artigo não substitui avaliação clínica.

Os repelentes funcionam contra carraças?

O Hospital Lusíadas e o ECDC recomendam repelente na pele e na roupa, roupa que cubra o corpo e inspeção do corpo depois dos passeios, em conjunto. Usa sempre de acordo com o rótulo do produto.

Fontes

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