Controlo de Carraças

Controlo de Carraças

Carraças: O Que São e Onde Vivem

As carraças são ácaros parecidos com aranhas que se alimentam do sangue de aves, répteis, anfíbios e mamíferos. Segundo o folheto do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), variam de avermelhadas a castanho-escuras ou pretas; as larvas medem 0,5 a 1 mm, as ninfas 2 a 3,5 mm e os adultos 7 a 15 mm, podendo os adultos totalmente alimentados chegar ao tamanho de um feijão. Preferem zonas húmidas, com folhagem ou erva alta, como bosques, pastagens, charnecas e alguns parques e jardins urbanos. Não voam nem saltam: sobem às plantas e detetam a presença de um hospedeiro pelas vibrações e pelo dióxido de carbono da respiração. O INSA refere que estão ativas durante todo o ano.

Espécies Encontradas em Pessoas em Portugal

No âmbito da rede nacional de vigilância REVIVE, o INSA registou 1010 carraças removidas de pessoas entre maio de 2011 e dezembro de 2015: 34,5% eram Ixodes ricinus, 34,0% Rhipicephalus sanguineus (a carraça-do-cão) e 13,2% Hyalomma marginatum. Em 2023, segundo o resumo do estudo do INSA, foram colhidas em pessoas 430 carraças, sem espécies exóticas identificadas.

Carraças em Casa, Canis e Jardins

Segundo a Universidade da Florida (EUA), a carraça-do-cão é invulgar entre as carraças por conseguir completar todo o ciclo de vida dentro de casa e em canis; esconde-se em frestas e fendas de casas, garagens e canis, e o primeiro sinal que os donos notam é, muitas vezes, ver carraças a subir paredes ou cortinas. A revista veterinária Today's Veterinary Practice (EUA) refere que pode abrigar-se em espaços técnicos e ventilações, sob deques e fundações, e que adultos em jejum sobrevivem 18 meses ou mais. A AniCura acrescenta que algumas espécies de carraças se adaptaram também a ambientes urbanos, como jardins e parques.

Riscos para a Saúde

De acordo com o INSA, as doenças transmitidas por carraças mais frequentes em Portugal são a febre escaro-nodular (febre da carraça) e a borreliose de Lyme, ambas de declaração obrigatória; na Europa há ainda, por exemplo, encefalite transmitida por carraça, febre hemorrágica da Crimeia-Congo e anaplasmose humana. O INSA indica que a febre da carraça e a borreliose de Lyme podem ser tratadas com antibióticos, mas podem evoluir para condições mais graves sem tratamento. Os sintomas de alerta incluem sintomas semelhantes aos de uma gripe (febre, cansaço, dor de cabeça) e erupção avermelhada; o INSA aconselha contactar o médico de família ou a linha SNS 24 se surgirem nos 30 dias seguintes a uma picada, referindo a picada ou o tempo passado ao ar livre.

Segundo o protocolo da Sociedade Portuguesa de Pediatria (2005), a febre escaro-nodular é causada pela bactéria Rickettsia conorii, nos países da bacia do Mediterrâneo o principal vetor é Rhipicephalus sanguineus e, para haver transmissão pela picada, são necessárias entre 6 e 20 horas de parasitação; as crianças são um grupo particularmente vulnerável por estarem mais em contacto com cães e com o solo. Para a borreliose de Lyme, o ECDC indica que a transmissão é improvável nas primeiras horas após a picada e que, por isso, remover depressa a carraça reduz o risco. A Anticimex Portugal refere, em termos gerais, cerca de 24 horas após o início da alimentação. Como os tempos variam consoante a fonte e a doença, o mais seguro é remover a carraça o mais depressa possível. Nos cães, a AniCura refere como doenças mais comuns a babesiose, a erliquiose monocítica e a hepatozoonose, e destaca também a borreliose; para dúvidas sobre o animal, fale com o veterinário.

Nos dados do INSA de 2023, o resumo do estudo indica que a prevalência anual de Borrelia nas carraças colhidas em pessoas e analisadas foi de 6,7% e a de Rickettsia de 32,8%, e que o vírus da febre hemorrágica da Crimeia-Congo não foi detetado (0%). O resumo não detalha quais das rickéttsias detetadas causam doença.

Como Remover uma Carraça

Segundo o INSA, a remoção deve ser rápida, com pinça de pontas finas ou ferramenta própria de remoção; se não houver, prende-se a carraça com o polegar e o indicador protegidos por papel absorvente ou algodão, o mais junto possível da pele. Limpe depois a zona com água e desinfetante e observe-a diariamente. As orientações diferem no pormenor do gesto: o INSA descreve rodar e puxar com firmeza, para não deixar peças bucais na pele, enquanto a Ordem dos Médicos (Colégio de Doenças Infecciosas) indica um movimento vertical, com leveza, sem esmagar o corpo, e o ECDC recomenda puxar para cima com suavidade. Em caso de dúvida, peça aconselhamento à linha SNS 24 ou a um profissional de saúde. A Ordem dos Médicos aconselha ainda consultar o médico se surgir erupção ou febre semanas depois da picada, informando-o da picada. Nos cães, a AniCura recomenda pinça própria para carraças e desaconselha óleos, pomadas ou humedecer a zona antes da remoção; a AniCura descreve também uma alternativa que envolve produtos antiparasitários, que difere da indicação para pessoas, pelo que, no animal, peça orientação ao veterinário.

O Que Fazer e o Que Não Fazer

Em Casa

  • Vede frestas e fendas e lave e seque as camas e mantas do cão a temperatura elevada, porque o calor pode matar as carraças que ali se escondem (Universidade da Florida).
  • Aspire rodapés, armários, alcatifas e estofos e deite fora o conteúdo do aspirador de imediato, num saco fechado, porque a carraça-do-cão sobrevive à aspiração (Today's Veterinary Practice).
  • Fale com o veterinário sobre todos os cães da casa. A Today's Veterinary Practice indica que todos os cães devem ser tratados com um produto eficaz e retratados conforme o rótulo durante vários meses, porque continuam a surgir carraças do ambiente. A escolha do produto é do veterinário.

No Jardim

  • Corte a relva e retire folhas secas, mato e restos (Universidade do Maine e Universidade de Harvard, EUA).
  • A Universidade do Maine sugere uma faixa de cerca de 90 cm (3 pés) de largura, com casca de árvore, mulch ou gravilha entre a relva e a zona arborizada, e lenha empilhada e seca longe da casa; a Universidade de Harvard considera fraca a evidência científica para esta faixa, embora seja uma medida de pouco esforço. Estas orientações americanas visam sobretudo carraças de veados, e não a carraça-do-cão.

Nas Saídas ao Campo

O INSA aconselha percursos bem definidos, roupa clara, mangas e calças compridas com as pernas por dentro das meias, calçado fechado, repelente na pele e verificação regular do corpo, das crianças e dos animais, à saída e ao chegar a casa.

O Que Não Fazer

  • Não esmague a carraça agarrada à pele (Ordem dos Médicos).
  • Não use óleos, pomadas nem humedeça a zona antes de retirar a carraça ao cão (AniCura).
  • Não confie só no tratamento do jardim: a Universidade de Harvard refere que reduzir as carraças no quintal pode diminuir a probabilidade de encontrar uma, mas basta uma picada para haver risco.

Como Decorre o Serviço Profissional

A Anticimex Portugal indica que presta serviços de controlo de carraças e descreve, no seu site, um processo em cinco passos: inspeção, aplicação de medidas, acompanhamento, resposta imediata e entrega de relatório. Segundo a Universidade da Florida, em residências ou canis muito infestados recomenda-se contratar um profissional, e pode ser necessário repetir o tratamento. A Today's Veterinary Practice refere que os acaricidas usados no ambiente são potencialmente tóxicos, que costumam ser necessárias aplicações repetidas e que a frustração com a presença de carraças pode levar a aplicações excessivas, com riscos para pessoas e animais; por isso, recomenda recorrer a um profissional experiente em vez de tratar a casa sozinho.

Para o jardim, segundo a Universidade de Harvard (EUA), as empresas podem pulverizar acaricidas, e estudos em zonas residenciais, com aplicação muito controlada, mostraram redução do número de carraças durante seis a oito semanas, sobretudo em conjunto com a gestão da vegetação; noutro estudo, à escala de bairro, a redução de carraças não se traduziu em menos doenças nas pessoas, embora tenha havido menos nos animais. A Today's Veterinary Practice indica que as carraças-do-cão podem continuar a surgir da estrutura durante muitos meses e que é necessária uma abordagem de longo prazo; peça o plano de acompanhamento. Peça também o nome do produto e as instruções de segurança. Em Portugal, segundo a página da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre biocidas, a DGS é a autoridade competente para a generalidade destes produtos, ao abrigo do Regulamento (UE) n.º 528/2012, executado pelo Decreto-Lei n.º 140/2017, cabendo à Direção-Geral de Alimentação e Veterinária os biocidas de uso veterinário. Veja o guia desinfestação com crianças e animais.

Fatores Que Influenciam o Preço

O preço costuma variar com a área a tratar (casa, garagem, canil, jardim), o grau de infestação, a dificuldade de acesso a frestas e vegetação, o método escolhido, a necessidade de reinspeção ou visitas adicionais e o acompanhamento posterior. O tratamento dos animais é uma decisão do veterinário e deve ser visto à parte. Consulte o guia de custos de uma desinfestação.

O Que Pedir no Orçamento

  • Identificação da praga (carraças, pulgas ou outra) e a origem provável.
  • Áreas incluídas: interior, frestas, canil, jardim.
  • Produtos a usar, instruções de segurança e tempo de reentrada.
  • Reinspeção prevista e o que acontece se as carraças reaparecerem.
  • Relatório escrito do serviço.
  • Recomendações de prevenção para o jardim e para o cão.

Quando Chamar um Profissional

Se encontrar carraças a subir paredes ou cortinas, a Universidade da Florida descreve isso como o sinal que, muitas vezes, os donos notam primeiro numa infestação da carraça-do-cão em casa. Em residências ou canis muito infestados, a mesma universidade recomenda contratar um profissional, e a Today's Veterinary Practice aponta o mesmo para infestações graves ou persistentes. Consulte também o guia sobre carraças e a proteção da família, as empresas da sua zona, e os serviços de controlo de pulgas e desinfestação geral.

Perguntas Frequentes

As carraças só aparecem no verão?

Não. Segundo o INSA, estão ativas durante todo o ano.

Quanto tempo tem a carraça de estar fixada para transmitir uma doença?

Depende da doença e as fontes variam: o protocolo da Sociedade Portuguesa de Pediatria indica 6 a 20 horas de parasitação para a febre escaro-nodular; o ECDC considera a transmissão de Lyme improvável nas primeiras horas; a Anticimex refere cerca de 24 horas em termos gerais. Em qualquer caso, remova a carraça o mais depressa possível.

Que doenças são mais frequentes em Portugal?

Segundo o INSA, a febre da carraça (febre escaro-nodular) e a borreliose de Lyme.

O que fazer se surgirem sintomas depois de uma picada?

O INSA aconselha contactar o médico de família ou a linha SNS 24 se surgirem sintomas nos 30 dias seguintes, referindo a picada ou o tempo passado ao ar livre; a Ordem dos Médicos refere erupção ou febre semanas depois.

Pode haver carraças dentro de casa?

Sim: segundo a Universidade da Florida, a carraça-do-cão pode completar o ciclo dentro de casa.

Quanto tempo sobrevive uma carraça sem se alimentar?

Segundo a Today's Veterinary Practice, adultos em jejum da carraça-do-cão podem sobreviver 18 meses ou mais.

Uma pulverização no jardim resolve o problema?

Não por si só: segundo a Universidade de Harvard, os estudos residenciais mostram redução das carraças durante seis a oito semanas, sobretudo com gestão da vegetação, e mantêm-se necessários o repelente e a verificação do corpo.

Quanto custa o tratamento?

Depende da área, do grau de infestação e do método; veja o guia de custos.

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