Uma pequena mancha escura junto ao beiral, um cheiro forte no sótão ou uns "guinchos" ao anoitecer. Muitas vezes, o problema que se apresenta como "uma praga no telhado" é, afinal, uma colónia de morcegos. E aqui a resposta é diferente de qualquer outro caso: os morcegos não se combatem, gerem-se.
São protegidos
Em Portugal existem mais de duas dezenas de espécies de morcegos e todas beneficiam de proteção legal, nacional e europeia. Na prática, isto quer dizer que é proibido matá-los, capturá-los ou destruir os seus abrigos. São também aliados úteis: alimentam-se de grandes quantidades de insetos, incluindo mosquitos.
Como saber se são morcegos
- Manchas escuras nas paredes ou à volta de frestas pequenas por onde entram e saem.
- Excrementos (guano): pequenos, escuros, secos, que se desfazem entre os dedos e têm brilhos, que são restos de asas de insetos. Não são iguais aos dos ratos, que são mais duros e não esfarelam.
- Ruídos ao fim do dia, quando saem para caçar, e antes de amanhecer, quando regressam.
- Cheiro característico em espaços fechados quando há muitos animais.
Os morcegos não roem madeira, cabos nem isolamentos: não são roedores. Se encontra danos desse tipo, a origem provável é outra; veja o nosso guia de sinais de infestação de ratos.
O que nunca fazer
- Matar, capturar ou perturbar os animais.
- Tapar as entradas com os animais lá dentro. Ficam presos, morrem ou acabam por entrar noutras zonas da casa.
- Fumigar, usar naftalina ou repelentes químicos. Não resolvem e podem ser tóxicos para si e para os animais.
- Mexer com as mãos. Se encontrar um morcego caído ou dentro de casa, use luvas grossas ou uma toalha e ligue ao município ou ao serviço de conservação da natureza. Se for mordido ou arranhado, procure cuidados de saúde.
Como se resolve
A solução costuma ser a exclusão: permitir que os animais saiam, mas não regressem. Consiste em colocar dispositivos de sentido único (uma espécie de "válvulas") nas saídas, que os morcegos usam para sair mas que impedem a entrada. Só depois de confirmar que já não há animais é que as aberturas são fechadas definitivamente.
O momento é decisivo. Em verão há crias que ainda não voam, e no inverno há animais em hibernação. Por isso a exclusão deve ser planeada com quem conhece o ciclo das espécies e ser orientada pelas entidades de conservação da natureza. Uma empresa séria começa por perguntar isso e nunca lhe propõe "eliminar" os morcegos.
Para quem quer manter os animais por perto sem os ter dentro de casa, existem caixas-abrigo que se instalam no exterior, em locais soalheiros e altos.
Limpeza do guano
O guano acumulado pode irritar as vias respiratórias. Retire-o com máscara, luvas e ventilação, humedecendo antes para não levantar pó, e coloque-o em sacos fechados. Depois de a colónia sair, convém limpar e, se necessário, desinfetar as superfícies. Uma empresa de desinfestação geral pode tratar da limpeza e da vedação final.
Perguntas Frequentes
Os morcegos transmitem doenças?
Como qualquer animal selvagem, devem ser tratados com cuidado. O risco maior vem do contacto direto (mordidelas ou arranhões) e da poeira do guano. Sem tocar nos animais e com uma limpeza cuidadosa, o risco é reduzido.
Posso fechar os buracos no inverno?
Não sem antes confirmar que não há animais em hibernação. Fazê-lo às cegas pode selar animais no interior.
A quem posso pedir ajuda?
Ao seu município e às entidades de conservação da natureza, que podem indicar quem trabalha com morcegos na sua zona. Procure também empresas no diretório que declarem experiência em exclusão de fauna protegida.