Resposta curta: porque não há um preço de referência
Neste guia não indicamos valores em euros, porque não há uma referência de preço para vespas que possamos atribuir a uma fonte identificável e com data. A página de ninhos da Habitissimo, por exemplo, apresenta preços de remoção de ninhos de aves e de abelhas, que não servem como termo de comparação para vespas, e a empresa Extreme Pest apresenta o serviço de vespas com orçamento gratuito, sem publicar valores. Por isso, explicamos o que faz o valor variar.
O que determina o preço, segundo o Manual de Boas Práticas na Destruição de Ninhos de Vespa velutina (Comissão de Acompanhamento para a Vigilância, Prevenção e Controlo da Vespa velutina, dezembro de 2018, disponível no portal do ICNF), é sobretudo a localização do ninho e os meios humanos e materiais que a operação exige, descrita nesse documento como uma tarefa exigente e dispendiosa. Antes de pedir orçamentos, há uma pergunta prévia que muda a quem deve recorrer: será mesmo vespa asiática?
Vespa asiática: primeiro contacto com as autoridades
Segundo o mesmo manual (de 2018), a tarefa de destruição de ninhos de Vespa velutina está atribuída aos serviços competentes das autarquias locais, e quem identificar um ninho não deve mexer-lhe, mas contactar de imediato a Proteção Civil da câmara municipal, indicando a localização. O ICNF, num folheto sobre métodos de controlo, indica como canais de notificação o formulário do portal STOPvespa (com fotografias anexas), a linha SOS Ambiente, a câmara municipal e a junta de freguesia. Uma câmara municipal, a de Albergaria-a-Velha, informa na sua página que o caso deve ser resolvido pelo serviço municipal de proteção civil e que nunca se deve destruir o ninho, porque a destruição parcial dissemina as vespas.
Por isso, se suspeita de vespa asiática, comunique primeiro e só depois pondere contratar uma empresa, para saber se o seu caso é abrangido pelo serviço municipal. Pode ler mais no artigo vespa asiática em Portugal.
Fatores que mudam o preço
Localização e altura do ninho
O manual descreve ninhos definitivos de 50 a 80 cm de diâmetro, por vezes em copas de árvores a mais de 30 metros de altura, e o folheto do ICNF indica ninhos primários de 5 a 10 cm. Para alcançar os mais altos, o manual refere equipamento como varas que permitem elevar a chama até 20 metros ou uma escada elevatória com cesta, e considera possível a necessidade de viatura com cesta de elevação. O manual associa o custo da operação à localização do ninho e aos meios necessários.
Método de destruição
O manual descreve três: captura do ninho ativo (possível quando o ninho está ao alcance), incineração no local (exige acordo e apoio da câmara municipal e precauções contra fogo) e aplicação de inseticida seguida de recolha do ninho desativado. Cada um implica equipamento e consumíveis diferentes. Uma câmara municipal, a de Figueiró dos Vinhos, descreve uma abordagem própria: aplicar biocida com uma vara telescópica e deixar o ninho no local, identificado e monitorizado.
Número de deslocações
O manual enumera as deslocações que compõem o custo: a do técnico para reconhecimento e confirmação da espécie, a dos operadores com o equipamento e, com inseticidas de ação lenta, uma nova deslocação nas 72 horas seguintes para recolher o ninho desativado. Um orçamento deve dizer quantas destas estão incluídas.
Horário e segurança
Segundo o manual, a maior eficácia obtém-se após o anoitecer ou durante a noite, quando as vespas já regressaram ao ninho, e os operadores não devem permitir a presença de outras pessoas num raio de cerca de 50 metros. Pergunte se o horário noturno tem acréscimo e como será feito o isolamento da zona.
Propriedade e autorizações
O manual refere que, em terrenos de particulares, quem executa a destruição deve pedir autorização aos proprietários para o acesso e para todas as etapas. Se o ninho está num terreno que não é seu, o acesso depende dessa autorização.
O que deve constar do orçamento
- Identificação da espécie: como e por quem será confirmada (fotografia, visita de reconhecimento).
- Método previsto (captura, incineração ou inseticida) e razão da escolha.
- Remoção física do ninho: incluída ou não, e se haverá segunda deslocação para o recolher.
- Produto: nome e função autorizada. Segundo o manual, as listas da DGS distinguem biocidas de uso profissional, que só podem ser aplicados por profissionais de gestão de pragas, e de uso doméstico.
- Meios de acesso: escada, cesta elevatória, varas, e se há custos de aluguer.
- Horário e proteção: equipamento individual e zona de segurança.
- Preço final com IVA e deslocação, e o que acontece se o ninho estiver inacessível.
Como comparar propostas
- Peça a pelo menos três empresas, com fotografia do ninho, altura aproximada e localização (telhado, árvore, cavidade, terreno de terceiros).
- Compare o pacote, não o número: visita de reconhecimento, intervenção, segunda visita e recolha.
- Pergunte como confirmam que a colónia ficou eliminada. O manual alerta que uma destruição ineficaz aumenta o comportamento defensivo das vespas sobreviventes.
- Confirme se a empresa já comunicou o ninho à câmara municipal, no caso de suspeita de vespa asiática.
- Prefira propostas que expliquem o método, em vez de indicarem só um valor global.
Quando o preço baixo é sinal de alerta
Convém questionar propostas que não pedem fotografia nem fazem visita de reconhecimento, que não identificam a espécie, ou que prometem intervir em ninhos altos sem indicar os meios. O ICNF desaconselha, no seu folheto, o uso de armas de fogo e a destruição parcial do ninho, porque dissemina as vespas, e refere também que a destruição de ninhos de outras espécies de vespas prejudica a biodiversidade, sobretudo de polinizadores. Uma proposta que não distingue espécies ou que sugere derrubar o ninho sem eliminar a colónia vai contra estas indicações.
Perguntas frequentes
Quem remove um ninho de vespa asiática?
Segundo o manual de 2018 disponível no portal do ICNF, a destruição está atribuída aos serviços das autarquias locais. Deve comunicar a localização à Proteção Civil da câmara municipal ou pelo portal STOPvespa, ou ainda pela linha SOS Ambiente.
Posso tentar remover o ninho sozinho?
Não é recomendado. O manual defende que só pessoal especializado intervenha, e o folheto do ICNF indica que destruir o ninho parcialmente dissemina as vespas.
Porque é que ninguém dá um preço fixo?
Porque o custo depende da localização do ninho, dos meios necessários, do método e do número de deslocações, como descreve o manual. O manual indica que qualquer destruição deve começar por uma visita de reconhecimento de um técnico, para confirmar a espécie e decidir o método.
E se o ninho for de outra espécie de vespa?
Os documentos oficiais que citamos tratam da Vespa velutina. Para outras espécies, confirme com a câmara municipal se existe apoio e peça orçamentos a empresas, pedindo que confirmem previamente a espécie: o ICNF adverte que destruir ninhos de outras vespas é prejudicial para a biodiversidade.
Quando é mais eficaz destruir um ninho de vespa asiática?
Segundo o manual, a destruição é particularmente eficaz até finais de julho ou agosto, porque interrompe o ciclo reprodutivo. A partir de dezembro, em geral, deixa de ter efeitos biológicos, porque os ninhos entram em decadência.
Compare propostas antes de decidir
Se o ninho não for abrangido pelo serviço municipal, pode pedir orçamento para receber propostas de empresas ou saber mais na página de controlo de vespas. Vale a pena ler também quando chamar um técnico e o guia geral quanto custa uma desinfestação.